Nossa leitura bíblica hoje, seguindo o roteiro para o Novo Testamento, é o capítulo 15 do livro de Atos, a grande reunião em Jerusalém a respeito da controvérsia sobre a circuncisão.

Obras denominacionais afirmam que esta reunião foi um concílio eclesial, o primeiro numa longa lista de conferências oficiais de autoridades religiosas. Obviamente, depende da denominação quais concílios constam na lista.

Vejamos por que a reunião em Jerusalém não pode ser considerada como concílio eclesial aos moldes daqueles assim considerados pelas denominações como a Católica, Ortodoxa, Anglicana, etc.

  1. A reunião não é chamada de concílio. O texto diz apenas que “Os apóstolos e os presbíteros se reuniram para considerar essa questão” (v. 6). Não há nenhum nome, título e nem substantivo dado à reunião para denominá-la como uma conferência oficial.
  2. Foram a Jerusalém porque os falsos mestres vieram de lá. É possível que estes afirmassem que em Jerusalém faziam assim, circuncidavam ainda, seguiam a lei mosaica ainda, e usassem a prática naquela cidade como tentativa de provar sua afirmação sobre a necessidade da circuncisão para a salvação. Mas ficou claro que saíram do meio da igreja em Jerusalém sem estarem autorizados. Tiago disse: “Porém não foi com a nossa autorização que eles fizeram isso” (v. 24, NTLH). Portanto, a cidade de Jerusalém não serviu como igreja-mãe, apesar de ser berço da igreja, e Paulo e Barnabé se dirigiram para lá por ser a origem dos perturbadores.
  3. Toda a igreja estava presente e não apenas representantes ou líderes eclesiais (vv. 4, 22). Tinha sido a igreja em Antioquia que enviou Paulo e Barnabé (v. 3). A igreja não ficava esperando uma decisão de cima para baixo, mas participava de todo o processo. A reunião não era nenhuma cúpula de líderes.
  4. O Espírito Santo deu seu parecer, por meio da inspiração dos apóstolos e profetas (v. 28). Também, Pedro apelou para o batismo no Espírito Santo como evidência para resolver de uma vez por todas a questão (v. 8). Nenhum concílio humano poderia afirmar tal envolvimento do Espírito, nem a inspiração da parte dos apóstolos. Acabam sendo, portanto, decisões humanas em áreas nas quais não têm competência.
  5. Embora a verdade revelada dentro da reunião fosse aplicável a todos os cristãos, a carta foi escrita para a igreja em Antioquia, e foi a ela conduzida e lida. “Então mandaram que os quatro partissem, e eles foram para Antioquia. Lá reuniram os cristãos e entregaram a carta” (v. 30, NTLH). Concílios tomam decisões para toda a igreja, as quais são obrigatórias a todos. A natureza da reunião em Jerusalém foi para esclarecer um distúrbio na congregação em Antioquia que poderia ser esclarecido somente com o parecer dos irmãos em Jerusalém. Tratava de resolver uma questão local em Antioquia.

Por estes motivos, fica claro que o que aconteceu em Jerusalém em Atos 15 nada tem a ver com os concílios humanos para determinar as doutrinas das suas igrejas.

Aparece, neste texto, a vontade de Deus revelada pelo Espírito, por meio dos apóstolos e profetas, sobre o evangelho e a salvação baseada, não por obras de mérito, mas sim pela graça de Deus obtida pela fé e obediência ao Senhor Jesus Cristo.

Ocorreu aqui mais uma instância da continuação no ensino dos apóstolos (Atos 2.42).