Na quarta-feira, começamos a leitura de Mateus 10, o envio por Jesus dos 12 apóstolos na comissão limitada. Chegamos somente até o verso 10. Surgiram na conversa em torno do texto várias observações e aplicações. Mesmo sendo um envio limitado dentro do contexto do ministério de Jesus, ainda há princípios a observar como válidos hoje. Abaixo, alguns destes.

  1. Nos evangelhos, vemos Jesus dando autoridade para milagres e curas somente aos Doze, v. 1. Aqui, ele faz isso logo antes de enviar-lhes para pregar. Os milagres, em grande parte, serviram para confirmar a mensagem proclamada, Mc 16.20; Jo 20.31; Hb 2.3-4. Tendo recebido o poder de operar milagres da mão de Jesus, somente os Doze podiam passar a capacidade de operar milagres para os outros, At 8.14-18. Assim, os milagres tinham um prazo de validade planejado por Deus, para a confirmação definitiva da verdade do evangelho.
  2. A lista dos nomes dos apóstolos traz à tona vários aspectos interessantes:
    1. Vários eles têm parentesco físico: Simão e André eram irmãos, bem como Tiago e João. É uma bênção quando familiares estão unidos no Senhor e na sua obra.
    2. Jesus reúne gente das mais diversas linhas políticas. Simão, o zelote, era revolucionário que procurava expulsar os romanos pela luta armada. Mateus, o publicano, era colaborador com os romanos. (Compare petista e bolsonarista no Brasil!) Mas no reino de Deus essas diferenças perdem seu efeito e seu valor.
  3. Jesus dá a mensagem a ser pregada, v. 7. Os discípulos não a escolhem. A mensagem se concentra o Reino. A proximidade do Reino se refere, entre outras coisas, ao estabelecimento da igreja, At 2. Jesus prometeu estabelecer a igreja e logo em seguida menciona o reino, Mt 16.18-19. Até o fim da sua vida, Jesus pensava na chegada desse reino, Mc9.1; Lc 22.18. É este reino que deve ter a nossa prioridade, mesmo acima das coisas materiais e essenciais da vida, Mt 6.33.
  4. Seus discípulos não estão vendendo um produto, v. 8b. Eles não têm interesse financeiro, nem buscam cobrar pela pregação. Entre os judeus, eles tinha toda expectativa de receber hospitalidade, então não precisavam levara nada, v. 9-10. Como receberam de graça, podiam ainda esperar que Deus cuidaria deles. Esta atitude é marcante e hoje diferencia de forma excepcional os seguidores de Jesus dos demais religiosos, clérigos e fiéis.
  5. Ao mesmo tempo, continua o princípio que “o trabalhar é digno do seu sustento” v. 10b. Este princípio continua valendo para a igreja. Não cabe aos de fora sustentar os obreiros, mas sim os membros do corpo de Cristo.
    1. “O que está sendo instruído na palavra partilhe todas as coisas boas com aquele que o instrui” Gl 6.6.
    2. “Da mesma forma, o Senhor ordenou àqueles que pregam o evangelho, que vivam do evangelho” 1Co 9.14.
    3. “Devem ser considerados merecedores de pagamento em dobro os presbíteros que presidem bem, especialmente os que se esforçam na pregação da palavra e no ensino” 1Tm 5.17 NAA.

Na próxima quarta, continuaremos a leitura do capítulo 10 de Mateus. Participate dessa leitura agradável e instruidora.